quarta-feira, 2 de maio de 2012

Tudo começa como um sonho


Filme: James e o Pêssego Gigante (James and the Giant Peach)
Direção: Henry Selick
Elenco: Paul Terry, Miriam Margolyes, Joanna Lumley, Pete Postlethwaite, David Thewlis.
Duração: 79 min.
Ano: 1996
País: Estados Unidos, Reino Unido
Gênero: Animação, Fantasia, Musical

James (Paul Terry) é um jovem órfão que mora com suas maléficas tias, até o dia que surge um pêssego gigantesco, do tamanho de uma casa, e que pode ser a única forma de James realizar seu sonho, embarcando em uma aventura extraordinária.

Nem nos meus sonhos mais loucos, imaginei cruzar o mundo em um pêssego gigante, nascido de criaturinhas verdes, ao lado de uma turma de insetos, depois de meus pais terem sido devorados por um rinoceronte que surge no meio da tempestade. Já Roald Dahl, autor do livro do qual o filme foi adaptado sim, e não é que deu certo?! 

Em um misto de live action com stop-motion, James e o Pêssego Gigante aguça o imaginário infantil e por que não dizer, adulto, e nos faz compreender os valores tão esquecidos de amizade e coragem (Isso me lembra Harry Potter! Saudades, velho amigo). Totalmente fora da ordem cronológica, vi o mais recente trabalho do diretor Henry Selick, Coraline e o Mundo Secreto, antes de James e simplesmente adorei a maneira com que ele conduz uma animação.

Henry Selick surge com uma premissa: "Se o mundo não é perfeito, por que minhas animações precisam ser?" E não são. Imprecisas, porém cheias de curvas e detalhes, Selick consegue tornar o imperfeito em um deleite aos olhos carentes de inocência e graça.

Com um olhar mais apurado sobre James e o Pêssego Gigante, consegui enxergar algo que me chamou a atenção: Nos momentos em que a história se passava na realidade, sua fotografia era o mais artificial possível; já quando James cruzava o mundo com seus amigos insetos em uma fruta gigantesca, o tom sintético era deixado de lado e dava lugar a luzes mais normais.

A direção de arte em todo o filme é muito rica, exceto nas cenas finais, em Nova York. E essa despreocupação, associada novamente a fotografia artificial, consegue resgatar da memória do espectador momentos da infância, há muito desprezados pelas recordações mais recentes.

Há no filme, uma figuração de Jack Skellington (de O Estranho Mundo de Jack), devido a presença de Tim Burton na produção, o que consegue tirar vários: "Awn, é o Jack!" do público. 

Recheado de virtudes e fantasia, James e o Pêssego Gigante consegue captar a aura infantil que habita toda criança e que estava adormecida em vários adultos. E nos faz lembrar que desde os prédios mais altos até as mais simples histórias infantis começaram como um sonho.

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