Filme: Fahrenheit 451
Direção: François Truffaut
Elenco: Oscar Werner, Julie Christie, Cyril Cusack
Duração: 112 min.
Ano: 1966
País: Reino Unido
Gênero: Drama, Ficção Científica
Sinopse: Em um estado totalitário num futuro próximo, os bombeiros têm como função principal queimar qualquer tipo de material impresso, pois foi convencionado que a literatura é uma propagadora da infelicidade. Mas Montag (Oskar Werner), um bombeiro, começa a questionar tal linha de raciocínio quando vê uma mulher preferir ser queimada com sua vasta biblioteca ao invés de permanecer viva.
Resenha: Logo que terminei o livro, corri para ver o filme, então é inevitável comparar um com o outro, então permitam-me esse outro lado crítico.
O livro não é dos mais fáceis de se ler (cheio de floreios, reflexões, pensamentos até sobre um simples ato de andar sobre folhas) e o filme tem um roteiro cheio de furos, atuações pouco convincentes, falta de informações bastante importantes... Vendo por esse lado, tudo é muito ruim.
Mas o livro carrega uma forte crítica ao rumo que a humanidade vem tomando (ressalto que o livro foi publicado em 1953), com sua vida fútil, vazia, cada vez mais acreditando e consumindo as informações infundadas e os programas com seu conteúdo insignificante, oco, além de repreender a falta de leitura no cotidiano das pessoas. O filme acentua essas ideias do autor, com ironias ácidas, cenas marcantes e trilha sonora tensa e intensa.
Fahrenheit 451 é bem fiel a Fahrenheit 451 e as cenas adicionais só ajudam no desenrolar da trama (incluindo a cena final, que é diferente de um para outro - eu, particularmente, gostei mais da de Fahrenheit 451... o filme), mas ainda deveria ter sido um pouco mais, principalmente em explicações que proporcionariam mais veracidade na interpretação dos atores e também maior facilidade de compreensão por parte do público. Enfim, nenhum dos dois (Fahrenheit 451 e Fahrenheit 451) é perfeito, mas o tom crítico o torna memorável. E como eu praticamente não sai desse mundo distópico por algumas horas (ao ler e logo em seguida, assistir ao filme), por um momento, durante o longa, eu realmente acreditei que ler era crime e que os bombeiros viriam a minha casa queimar meus livros e me prender. E aí me lembrei que ainda não chegamos a esse ponto de ignorância. Ainda.

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