domingo, 2 de setembro de 2012

Declaração de amor ao cinema

Filme: A Invenção de Hugo Cabret (Hugo)
Direção: Martin Scorsese 
Elenco: Asa Butterfield, Ben Kingsley, Chloë Grace Moretz, Sacha Baron Cohen, Helen McCrory, Richard Griffiths
Duração: 128 min.
País: Reino Unido, França
Gênero: Aventura, Fantasia

Sinopse: Hugo é um garoto de 12 anos que vive em uma estação de trem em Paris no começo do século 20. Seu pai, um relojoeiro que trabalhava em um museu, morre momentos depois de mostrar a Hugo a sua última descoberta: um autômato, sentado numa escrivaninha, com uma caneta na mão, aguardando para escrever uma importante mensagem. O problema é que o menino não consegue ligar o autômato, nem resolver o mistério.

Resenha: Quando eu penso que já sou apaixonado o bastante pelo mundo cinematográfico, surge então monsieur Scorsese e me torna ainda mais fascinado, embevecido, enlevado, extasiado, seduzido por esse universo.

E além do cinema, há livros, muitos livros e estações de trem e desenhos e engrenagens... Aliás, esse filme é como um relógio muito bem calibrado e preciso. Uma impecável direção de arte. Uma fotografia que pinta de dourado uma fria Paris e quando necessário, a colore de azul. Efeitos especiais mais do que essenciais e bem executados. E uma trilha sonora que é capaz de te fazer cantarolar dormindo... 

E o elenco, o que dizer? Mais do que incrível e com merecidos aplausos ao Asa Butterfield e à Chloe Moretz (e eu particularmente, me emocionei ao reconhecer Helen McCrory e Richard Griffiths em cena de novo).

Acredito que a única falha de Hugo seja o roteiro, que faz com o filme se torne arrastado durante quase toda a primeira hora, mas também compreendo que era importante para dar o tom certo ao restante do longa. Mesmo ponderando, esperava um pouco mais de aventura (o trailer mais do que prometeu isso), o que só acontece lá pelo final.

Enquanto o curta, também ganhador do Oscar 2012, The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore é uma declarada história de amor aos livros, Hugo parece conseguir transmitir o meu, o seu, o do mounseir Scorsese, amor pelo cinema para dentro do próprio cinema. Um filme metalinguístico, que brilha aos olhos e esquenta o coração.

E como disse um tal de George Méliès: "Venham sonhar comigo!"

sábado, 1 de setembro de 2012

Celsius 233, Kelvin 506

Filme: Fahrenheit 451
Direção: François Truffaut
Elenco: Oscar Werner, Julie Christie, Cyril Cusack
Duração: 112 min.
Ano: 1966
País: Reino Unido
Gênero: Drama, Ficção Científica

Sinopse: Em um estado totalitário num futuro próximo, os bombeiros têm como função principal queimar qualquer tipo de material impresso, pois foi convencionado que a literatura é uma propagadora da infelicidade. Mas Montag (Oskar Werner), um bombeiro, começa a questionar tal linha de raciocínio quando vê uma mulher preferir ser queimada com sua vasta biblioteca ao invés de permanecer viva.

Resenha: Logo que terminei o livro, corri para ver o filme, então é inevitável comparar um com o outro, então permitam-me esse outro lado crítico.

O livro não é dos mais fáceis de se ler (cheio de floreios, reflexões, pensamentos até sobre um simples ato de andar sobre folhas) e o filme tem um roteiro cheio de furos, atuações pouco convincentes, falta de informações bastante importantes... Vendo por esse lado, tudo é muito ruim.

Mas o livro carrega uma forte crítica ao rumo que a humanidade vem tomando (ressalto que o livro foi publicado em 1953), com sua vida fútil, vazia, cada vez mais acreditando e consumindo as informações infundadas e os programas com seu conteúdo insignificante, oco, além de repreender a falta de leitura no cotidiano das pessoas. O filme acentua essas ideias do autor, com ironias ácidas, cenas marcantes e trilha sonora tensa e intensa.

Fahrenheit 451 é bem fiel a Fahrenheit 451 e as cenas adicionais só ajudam no desenrolar da trama (incluindo a cena final, que é diferente de um para outro - eu, particularmente, gostei mais da de Fahrenheit 451... o filme), mas ainda deveria ter sido um pouco mais, principalmente em explicações que proporcionariam mais veracidade na interpretação dos atores e também maior facilidade de compreensão por parte do público. Enfim, nenhum dos dois (Fahrenheit 451 e Fahrenheit 451) é perfeito, mas o tom crítico o torna memorável. E como eu praticamente não sai desse mundo distópico por algumas horas (ao ler e logo em seguida, assistir ao filme), por um momento, durante o longa, eu realmente acreditei que ler era crime e que os bombeiros viriam a minha casa queimar meus livros e me prender. E aí me lembrei que ainda não chegamos a esse ponto de ignorância. Ainda.

A sorte a favor de Jogos Vorazes? Então...

Filme: Jogos Vorazes (The Hunger Games)
Direção: Gary Ross
Elenco: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth, Stanley Tucci, Elizabeth Banks
Duração: 142 min.
Ano: 2012
País: Estados Unidos
Gênero: Ação, Drama, Ficção Científica

Sinopse: A história é ambientada nas ruínas futuristas da América do Norte, agora dividida em uma capital e 12 distritos. Cada distrito fornece dois adolescentes entre 12 e 18 anos, que competem no reality show de sobrevivência que dá nome ao filme. A trama é centrada em Katniss, adolescente de 16 anos que vai para o reality show no lugar de sua irmã, sorteada pelo distrito.

Resenha: Mesmo me decepcionando um pouco, não deixa de ser um grande filme. Um pouco corrido de cá, atropelando alguns fatos de lá, Jogos Vorazes deve se manter como um dos grandes (e competentes) blockbusters do ano.

O filme é praticamente todo de Jennifer Lawrence (que só cresce como atriz), com muitas honras e mérito por interpretar tão bem a heroína Katniss. Cada membro do elenco estava realmente empenhado em seus respectivos papeis, embora, por causa do ritmo acelerado do longa, tenham sido lapidados demais em atuação, cortando a história e consequentemente, suas emoções.

Acredito que muitos americanos ainda fazem cinema pensando que há uma grande parcela estadunidense e porque não, mundial, por causa da difusão de seus filmes, que é ignorante. Diferentemente de outras adaptações literárias para a telona, onde o público é apresentado a um mundo novo com a noção de seus aspectos um tanto implícita, o que é um ganho nesses casos, em Jogos Vorazes, cada item da distopia nos tem seu significado mais do que apresentado às claras, quase que nos expelido como em um dicionário ou em uma enciclopédia, onde sua função é única e exclusivamente essa.

Acreditem ou não, o ritmo do livro é melhor do que o do filme, onde mesmo as partes mais calmas, contém o medo eminente da morte, do fracasso pela protagonista Katniss.

As cenas adicionadas, alteradas ou excluídas (do livro para o filme), em sua maioria, passam sem muita importância, algumas até crescendo a história. Maquiagem, figurinos e direção de arte são elementos fieis e vistosos. Particularmente, achei os efeitos visuais, divergindo da maioria, satisfatórios para o não tão grande orçamento. Peca sim em alguns momentos e faz com que uma das principais lutas tenha que ocorrer na quase completa escuridão para que não se veja os defeitos em CGI.

Falando em luta, penso que o diretor não conseguiu conduzi-las muito bem. Culpa de uma câmera tremida demasiadamente e de cortes bruscos, que só confundem o que e quem está diante dos olhos do espectador.

Julgando a forte crítica por trás do enredo, Jogos Vorazes tem mais do que uma opinião negativa sobre reality shows. Aborda também a natureza humana como um todo, desde as atitudes na vida cotidiana até nas situações mais extremas.

No mais, é um bom filme, que mesmo não fazendo total jus ao livro da onde é baseado, tem tudo para nos presentear com uma sequência ainda melhor do que seu prelúdio. Que a sorte esteja a favor de Em Chamas.

Mutant and Proud

Filme: X-Men: Primeira Classe (X-Men: First Class)
Direção: Matthew Vaughn
Elenco: James McAvoy, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence, Kevin Bacon
Duração: 140 min.
Ano: 2011
País: Estados Unidos
Gênero: Ação, Aventura, Drama, Ficção Científica
Sinopse: O começo da saga dos X-Men, antes de Charles Xavier e Erik Lensherr usarem os codinomes Professor X e Magneto, quando eram apenas dois jovens descobrindo seus poderes mutantes. Antes de serem inimigos, os dois era amigos próximos, trabalhando juntos, ao lado de outros mutantes (alguns conhecidos, outros não), tentando impedir a maior ameaça que o mundo já viu.

Resenha: A trilogia e as animações são incríveis e entre os dois, X-Men Evolution ainda é o meu favorito. Mas com esse filme, o desenho quase perdeu seu posto. Quase. (Mais questão de sentimentos do que qualquer outro elemento).

Liga da Justiça: Certinha demais. Os Vingadores: Não suporto muitos dos "heróis" (e atores) que fazem parte daquele grupo. X-Men: O ponto de equilíbrio perfeito entre as outras duas equipes, ainda nos permitindo pensar que algum dia, nosso genes mutante, atualmente adormecido, pode despertar e nos tornar especiais. Mas enquanto humanos "normais", podemos apenas nos deliciar com esse filme. E como.

É maravilhoso ver um longa que é pensado para ser mais comercial do que qualquer outra coisa que tenha quase todos os seus elementos maestralmente orquestrados. Direção, roteiro, edição, direção de arte. É ficção, mas se mantem na realidade ao mixar mutantes e as guerras mundiais, muito próximos de criar uma terceira. Isso é realmente ótimo de se ver.

Na questão elenco, destaque para... Todos. Sim, todos os atores se destacam, mesmo em pequenos papéis. Mas há um quê especial na atuação de James McAvoy, Jennifer Lawrence e Michael Fassbender (que interpreta um Magneto que me fez ter tanto medo e maravilhamento quanto o de Ian McKellen).

Há defeitos sim, mínimos, mas eles existem. Os efeitos especiais, mesmo com um orçamento gigantesco, por vezes, pareceram muito artificiais. Isso inclui a maquiagem, um pouco simples e talvez, estranha?! Ah, cadê o sangue desse filme? Sim, eu queria ver sangue. Senti falta disso. Sério! Ferimentos muito escondidos, o que me surpreende, por se tratar de um filme do diretor de Kick-Ass, que não poupa o liquido vital vermelho. E alguns aspectos da história ficaram no ar, mas creio que serão explicados no próximo longa.

Mas X-Men: Primeira Classe entrou com folga (em relação a primeira trilogia) na minha memória e nos meus favoritos. E só para terminar, revelo um segredo não tão secreto assim: Eu sempre quis ser um X-Men.