sábado, 4 de fevereiro de 2012

Palmas ao filme mudo, francês e em preto e branco



Título original: The Artist
Título nacional: O Artista
Diretor: Michel Hazanavicius
Elenco: Jean Dujardin, Bérénice Bejo, John Goodman, James Cromwell, Penelope Ann Miller, Missi Pyle.
Duração: 100 min.
Ano: 2011
País: França/Bélgica
Gênero: Drama, Comédia
Distribuidora (BR): Paris Filmes

O diretor francês Michel Hazanavicius (cujo trabalho se tornou conhecido por mim, através desse filme) é o responsável por trazer à nova geração, na qual me incluo totalmente, o cinema mudo e preto e branco. Ambientado em Hollywood (onde ainda se pode ler em seu famoso letreiro "Holllywoodland") entre os anos de 1927 e 1932, a história foca na carreira de George Valentin (Jean Dujardin), ator de sucesso do cinema mudo, que entra em declínio no decorrer do filme, por causa do cinema falado, onde a principal atriz é Peppy Miller (a esposa de Hazanavicius, Bérénice Bejo), com quem Valentin já havia trabalhado.

A primeira vista, o filme pode parece chato e cansativo, ainda mais para os leigos sobre cinema mudo, como eu. Mas após a apresentação inicial dos dados técnicos do filme (bem à moda antiga), o longa começa e começa bem, nos apresentando os personagens por meio do próprio cinema.

Há momentos em que eu senti falta do habitual som, como nas palmas da plateia, bem no começo, mas depois de alguns minutos, acabei me esquecendo que se tratava de um filme mudo.

O Artista nos apresenta algumas situações engraçadas, das quais todos nós podemos nos encontrar. Nada de piadas em situações sérias para quebrar a tensão. Coisa que às vezes funciona, às vezes não.
Jean Dujardin e Bérénice Bejo (ironicamente, apesar desse sobrenome, não há beijos no longa) desempenham muito bem seus papeis, mas o destaque vai para o cãozinho Uggie interpretando como um verdadeiro ator, que acompanha os movimentos do personagem de Dujardin em uma das cenas. A dúvida que fica é: "Quem está acompanhando quem?"

Nos filmes mudos e falados, quem dita a tensão, a alegria, a tristeza, na maior parte do tempo é a trilha sonora. Com O Artista, isso não é diferente. Não há músicas marcantes, que possivelmente cantarolemos após o término do longa, mas por conduzi-lo muito bem, merece ser considerada em sua indicação ao Oscar. Já da fotografia, não posso dizer muito, pois não é algo muito fácil de se opinar em um filme preto e branco.

Porém, mais para o meio, o longa se torna cansativo e volto a me lembrar que é um filme mudo, pois tive que  tentar descobrir o que alguns personagens estão tentando dizer por meio da leitura labial, o que não é fácil, para alguém que não conhece muito bem a língua inglesa. Também falta carga emocional. Só "Ah" e "Own" por causa do cachorrinho não podem (e nem devem) ser o principal responsável pela emoção em um filme. Talvez por esses fatores não mereça ser o vencedor do Oscar de Melhor Filme.

Mesmo seu final sendo mais animado e previsível do que bem construído, o filme é uma bela homenagem ao cinema mudo. A ideia de espectadores trajando trajes de gala em um cinema pode soar estranha, mas a  experiência de ter a trilha sonora sendo tocada ao vivo, abaixo da tela e os nossos atores favoritos se apresentando à plateia após a exibição do filme só podem ser vista em longas como esse. Ou em nossa imaginação.

Nota: 8,5/10

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