sábado, 23 de setembro de 2017

Memórias Póstumas de um Século de Grandes Acontecimentos

Filme: Nós que Aqui Estamos, Por Vós Esperamos
Direção: Marcelo Masagão
Duração: 73 minutos
Ano: 1998
País: Brasil
Gênero: Documentário

Sinopse: Um filme-memória sobre o século XX, a partir de recortes biográficos reais e ficcionais de pequenos e grandes personagens que viveram neste século.

[ANTES DA RESENHA: Voltei, gente. Vou tentar alimentar esse blog com mais resenhas e outros tipos de textos meus]

Resenha: Acredito que seja necessário um nível elevado de maturidade, tanto de quem produz, quanto de quem assiste Nós que Aqui Estamos por Vós Esperamos. Por se tratar de um filme intertextual, não linear ou cronológico, gerado com 95% de imagens pré-existentes e com propósitos nem sempre tão claros, muitos desistem do longa logo nos minutos iniciais. O que, agradecidamente, não aconteceu comigo. 

Repleto de contrastes, cores fortes, sons agudos e graves que traçam caminhos que aparentemente nos levam a lugar nenhum, esse documentário é mais do que uma grata surpresa do cinema brasileiro. Sem personagens, depoimentos ou mesmo narração, é poético, profundamente sensível, grandioso e bipolar. 

Sim, bipolar. Em poucos instantes, vamos de um campo de guerra para o território inimigo, aterrissamos na Lua, enquanto mulheres em Terra fumam seu primeiro cigarro e têm seus maiôs medidos pela “censura”. Como notam, caminhamos da mais pura felicidade ao mais terrível dos horrores. E o mais incrível é que em nenhum momento o diretor generaliza os indivíduos que ajudaram na formação desse século dos extremos. Como ele mesmo faz questão de ressaltar, cada homem que lutava na guerra tinha um nome, uma história. Um gostava de Coca-Cola, o outro era gay, aquele tinha uma namorada a sua espera. Não há massificação. Todos, estando aos extremos ou não, foram imprescindíveis.

Não há apenas guerras. Existem conquistas, arte, reflexão. Não há apenas pessoas. Existem monstros. Hitler, Mussolini, Stalin, Salazar. Existem fatos que eu acreditava que somente viviam nas páginas dos livros e na imaginação de autores como Ray Bradbury em “Fahrenheit 451”. 

Acima de tudo o que eu já disse no parágrafo anterior, há muita história, seres humanos corajosos e muito, mas muito cemitério. Pode até parecer engraçado, mas ao término do documentário, faz mais do que muito sentido: É algo quase óbvio. E tocante. 

O que o século passado fez por nós? Ao fim desse filme nada convencional, obtemos a resposta: Ele praticamente talhou o que somos e o que fazemos hoje. 

“Dizem que em algum lugar, parece que no Brasil, existe um homem feliz.” Considero que esse homem feliz seja cada um de nós, ao menos um pouco, após contemplar essa pequena obra de arte pouco conhecida que é Nós que Aqui Estamos por Vós Esperamos.

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